OFICINAS UBUNTU DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS CULTURAIS
OFICINAS UBUNTU DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS CULTURAIS E CADASTRAMENTO NA PLATAFORMA CULTURA VIVA
A democratização do acesso às políticas públicas de cultura exige mais do que a abertura de editais; demanda a partilha de ferramentas técnicas que permitam aos fazedores de cultura ocupar esses espaços de direito. É com esse propósito que o Pontão de Cultura desenvolve a Oficina Ubuntu de Elaboração de Projetos Culturais e Cadastramento na Plataforma Cultura Viva.
Esta iniciativa traduz diretamente a essência da filosofia Ubuntu – “Eu sou porque nós somos” – ao transformar o conhecimento técnico em um bem coletivo e compartilhado. As oficinas foram concebidas como um espaço de instrução pedagógica, um “quilombo de formação e letramento institucional”1 para aqueles que preservam a identidade e a ancestralidade nas franjas e periferias do estado do Rio de Janeiro.
A formação não se resume à transmissão unilateral de técnicas, mas sim a um processo circular de partilha.
O programa formativo estruturou-se em duas bases fundamentais de autonomia institucional: primeiro, a Elaboração de Projetos Culturais, visando capacitar os participantes a traduzirem suas práticas cotidianas, festejos e saberes tradicionais para a linguagem técnica exigida por editais públicos e fundos de fomento, desmistificando planilhas orçamentárias, cronogramas e justificativas.
[1] Apropriamo-nos do debate formulado pelo historiador Flavio S. Gomes quando interpreta as práticas culturais ancestrais existentes nas comunidades quilombolas (danças, música, religião e gastronomia) como “ação intuitiva de transmissão intergeracional de saberes e técnicas tradicionais […]” (GOMES, 2015, p. 59). Ou seja, as dinâmicas adotadas nas oficinas em questão tanto podem formalizar a relação ensino-aprendizagem como simplesmente estimular o reavivamento da memória coletiva dos momentos em que naturalmente os aquilombados lançaram mão da técnica de transmitir conhecimento construindo-o com base na circularidade, em um movimento em que só há início e meio… e o coletivismo se impõe ao individualismo. (Ver: GOMES, F. S. História dos Quilombos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2015)
Segundo, na mesma oportunidade, a realização do Cadastramento na Plataforma Cultura Viva, mediante orientação dos coletivos e instituições com CNPJ no passo a passo para a obtenção da certificação oficial como Pontos de Cultura. Esse selo emitido pelo Ministério da Cultura é a chave para a inserção definitiva na maior rede de salvaguarda cultural do país.
Embora o conteúdo seja universal e atenda a produtores, artistas e agentes de diversos segmentos, as Oficinas Ubuntu de Elaboração de Projetos Culturais e Cadastramento na Plataforma Cultura Viva possuem o compromisso ético de priorizar e acolher os Mestres e Mestras das Culturas Populares e Tradicionais. São os guardiões da capoeira, do jongo, do samba de roda, dos terreiros, da folia de reis… que, muitas vezes, enfrentam as maiores barreiras burocráticas para acessar os recursos públicos. A oficina descentraliza esse saber, oferecendo suporte qualificado, linguagem acessível e acolhimento. Realizada de forma totalmente gratuita e com certificação de participação, essa ação cumpre uma meta central de Formação e Educação Cultural do plano de trabalho do Pontão de Cultura UBUNTU.

Ao circular de forma itinerante pelos municípios fluminenses, a Oficina Ubuntu de Elaboração de Projetos Culturais e Cadastramento na Plataforma Cultura Viva contribuiu para semear sustentabilidade institucional e para que as trajetórias dos fazedores de cultura continuem sendo valorizadas, financiadas e eternizadas.
O impacto dessas oficinas ultrapassa os dados quantitativos. O treinamento ampliou a autonomia dos mestres/as na participação em editais públicos de fomento à cultura, gerando um sentimento de que é possível superar as dificuldades técnico-burocráticas para a plena institucionalização.
Do ponto de vista da dinâmica e metodologia adotadas, ao longo do primeiro ciclo de 06 (seis) oficinas previstas no Plano de Trabalho para o Ano 1 do Projeto, estas foram agendadas conforme a evolução das conversas com o Comitê Gestor.
Aspecto peculiar a ser destacado diz respeito à adequação do planejamento, em certas circunstâncias. Com vistas à otimização do tempo em relação às distâncias, sempre que possível foram realizadas, concomitantemente, as Oficinas UBUNTU de Elaboração de Projetos Culturais (Quadro 4) – eventualmente desmembradas das Oficinas de Cadastramento na Plataforma Cultura Viva (Quadro 5), as Oficinas de Culturas Populares e Tradicionais a cargo dos mestres/as, com respectivas bolsas previstas no Plano de trabalho2 (Quadro 6) e as entrevistas para a Caracterização de Mestres/as.
É importante notar que as demandas para o cadastramento na Plataforma Cultura Viva chegam até o conhecimento da Coordenação do Projeto a partir do atendimento do Ponto Focal instalado nas dependências da SECEC. A coordenação, então, promove contatos diretos com mestres e mestras, seja no contexto das atividades em curso, seja por WhatsApp e/ou email do Pontão Ubuntu.
Os cadastramentos são sempre precedidos de encontros do Projeto com os interlocutores no território das organizações, em suas respectivas cidades. Após o cadastramento é realizado o acompanhamento online de cada processo na Plataforma Cultura Viva, juntamente com os interlocutores como parte da ação formativa
[2] Essas oficinas são realizadas como parte integrante e complementar de eventos organizados em parceria com as Instituições/Coletivos Culturais, e se configuram como grandes encontros.
