AÇÕES – mETA 1
Ano 1 – Meta 1
FORMAÇÃO E EDUCAÇÃO CULTURAL
A educação e a formação cultural são as chaves que garantem a sustentabilidade, a autonomia e a renovação dos movimentos comunitários. No horizonte do Pontão de Cultura UBUNTU, a formação não se resume à transmissão unilateral de técnicas, mas sim a um processo circular de partilha, onde o conhecimento técnico se alia à sabedoria ancestral. A Meta 1 materializa esse compromisso ao propor um ecossistema de aprendizagem mútua voltado ao fortalecimento institucional e criativo dos territórios.
A formação não se resume à transmissão unilateral de técnicas, mas sim a um processo circular de partilha.
Por meio de um cronograma integrado de oficinas, cursos, palestras e seminários, esta meta visa acolher tanto os Pontos de Cultura já certificados quanto os coletivos e grupos culturais de base comunitária que ainda não possuem a certificação, mas que já transformam suas realidades locais. Os conteúdos educativos são cuidadosamente elaborados para responder às demandas reais da rede, abordando temas urgentes que valorizem a diversidade, salvaguardem as identidades culturais e estimulem o protagonismo social de cada comunidade.
Dessa forma, busca-se construir uma ponte sólida e inovadora de integração: de um lado, as instituições públicas de educação formal; de outro, os saberes orgânicos, populares e tradicionais salvaguardados por nossos mestres e mestras de cultura. Ao promover esse encontro entre o saber acadêmico e a vivência comunitária, o Pontão de Cultura UBUNTU repisa que a escola e a comunidade são territórios irmãos na construção de uma sociedade mais justa, consciente de sua história e senhora de sua própria memória.

Neste sentido, a Meta 1 do Pontão de Cultura UBUNTU dedica-se à elaboração e execução de ações formativas continuadas e integradas. Ou seja, recorre-se a uma programação diversa, adaptativa a cada realidade, cujo pressuposto é instrumentalizar os agentes culturais, produzindo conteúdos educativos que dialoguem diretamente com a salvaguarda da memória, a diversidade identitária e a sustentabilidade dos territórios onde o Pontão de Cultura UBUNTU atua.
Tecendo Saberes, Fortalecendo Redes
A base da Cultura Viva Comunitária sustenta-se na transmissão de saberes e na autonomia dos seus fazedores. No entanto, a burocratização do setor cultural e as barreiras históricas de acesso a recursos exigem que os Pontos de Cultura e coletivos periféricos, tradicionais e populares estejam em constante processo de formação e atualização.

A filosofia Ubuntu:
“Eu sou porque nós somos”
Isto exige o permanente fortalecimento da Rede, isto é: capacitar grupos não certificados para que compreendam a legislação da PNCV (Lei Cultura Viva), facilitando seu reconhecimento e sustentabilidade institucional; combater racismos, preconceitos e apagamentos históricos celebrando a ancestralidade e a diversidade cultural, sob a filosofia Ubuntu (“Eu sou porque nós somos”); criar canais de diálogo legítimos entre a educação formal (Escolas, Universidades, Institutos Federais) e os saberes orgânicos e tradicionais. É fundamental que os detentores desses saberes (mestres e mestras de cultura) ocupem as academias não apenas como objetos de estudo, mas como intelectuais e educadores que são
Ao concretizar as ações que nortearam a Meta 1 – Ano 1 (Quadro 1), o Pontão de Cultura UBUNTU cumpriu a sua função social de polo articulador e gerador de autonomia. Mais do que transferir técnicas de gestão, as ações propostas contribuíram para validar e institucionalizar a pedagogia do afeto, do terreiro, da rua e da comunidade1. Ainda, a integração entre a educação formal e a sabedoria popular avançou na perspectiva de consolidar uma rede cultural mais integrada, crítica e resiliente, incentivando que o direito à cultura e à educação andem de mãos dadas na construção de uma sociedade mais equitativa.
[1]As oficinas são formuladas com base no pensamento de Paulo Freire sobre educação, cuja matriz permite abstrair para os diferentes lugares onde se processa o ato de educar com o olhar para o exercício da cidadania. A partir desse olhar, a comunidade é o ponto de partida e de chegada para a formulação de círculos autônomos de cultura; o afeto, mais do que carinho, é um ato político de cuidado e compromisso com a justiça e a liberdade; o terreiro é lugar legítimos de produção de conhecimento, onde a ancestralidade pode servir à descolonização dos currículos escolares e ao enfrentamento do racismo; a rua é vista como um território de vivências onde se lê o mundo antes de ler a palavra
