Ano 1 – Meta 3

Registro e Divulgação

Como enunciado no Plano de Trabalho, nesta Meta 3 deve-se desenvolver estratégias de divulgação e registro das ações culturais implementadas para ampliar o alcance das próprias ações e fazer com que os resultados conquistados continuem reverberando. Para tal, faz-se necessário estabelecer parcerias com veículos de comunicação, órgãos públicos, instituições culturais e outros atores locais para potencializar a divulgação das atividades culturais a serem realizadas. Dentre as estratégias adotadas, a exemplo de cards, a utilização de material de forte impacto visual na divulgação nas redes sociais e nos locais de realização das atividades mostrou-se uma medida cujos efeitos merecem ser ressaltados.

A criação de banners personalizados para as ações e encontros do Pontão de Cultura UBUNTU foram muito além de uma simples escolha estética ou de “decoração de eventos”. No contexto das culturas populares e tradicionais, esses materiais cumpriram papéis políticos, pedagógicos e identitários fundamentais, funcionando como uma espécie de materialização da memória a conferir legitimidade visual. Isto, provavelmente, porque muitas das expressões apoiadas pelo Pontão de Cultura UBUNTU (como rodas de jongo, folias de reis, capoeira ou celebrações de matriz africana) historicamente sofreram com a falta de registros oficiais e o apagamento visual.

Quando um mestre ou mestra chegava a um encontro e via a sua foto, o nome de seu grupo e seu território impressos em um banner de alta qualidade, evidenciava-se um momento de autoestima e legitimação. É como se o banner representasse um documento visual que diz à comunidade e às autoridades: Nossa cultura é importante, oficial e está registrada.

O Pontão Ubuntu atua em redes diversas e complexas espalhadas pelo estado do Rio de Janeiro. Uma identidade visual padronizada e genérica apagaria as particularidades de cada grupo. Ao criar peças personalizadas, o Pontão de Cultura UBUNTU demonstrou respeito aos símbolos, às cores, vestimentas e iconografias específicas de cada tradição, demarcando e respeitando a identidade do território (o desenho de um berimbau específico, as cores de uma bandeira de santo, os trajes de um grupo de jongo). Isso garantiu que os praticantes se reconhecessem verdadeiramente na comunicação do evento, evitando a armadilha de folclorizar ou homogeneizar culturas tão ricas e distintas.

Outros dois aspectos importantes a serem demarcados foram, primeiro, o desenvolvimento de parte das ações em conjunto com governos locais, porque potencializa e estimula o fortalecimento dos sistemas municipais de cultura e a das instâncias de diálogo permanente entre o poder público local e a sociedade civil organizada.

Os encontros de culturas populares e tradicionais aconteceram, em sua maioria, em espaços públicos e comunitários – praças, terreiros, clubes, quadras de escola de samba, academias de capoeira, igrejas, instituições de ensino públicas e privadas, favelas e ruas. Nesses ambientes dinâmicos, o banner personalizado exerceu mais que uma função pedagógica crucial de comunicação imediata. Ele delimitou o espaço, informou ao público passante sobre o que estava acontecendo, contextualizando a ação de forma objetiva, rápida e visual. É, de fato, uma ferramenta de acessibilidade para que a comunidade local entenda a importância daquele Mestre ou Mestra e daquela salvaguarda.

Para além do grupo local, os banners personalizados carregam as marcas do Pontão de Cultura UBUNTU, da Política Nacional Cultura Viva E DA Rede Cultura Viva RJ. Isso criou uma unidade política visual. Quando fotos desses encontros circulam em relatórios institucionais – como este aqui apresentado –, redes sociais ou na imprensa, o banner serve como prova da capilaridade e da aplicação dos recursos públicos (como a Política Nacional Aldir Blanc de fomento à cultura – PNAB). Ele conecta visualmente aquela ação isolada a um movimento macro de incidência política e proteção ao patrimônio cultural imaterial.

Assim, para o Pontão de Cultura UBUNTU, a experiência de utilizar o banner personalizado não foi apenas publicitária; elaboramos uma ferramenta de afirmação política e decolonial, que transforma a imagem dos Mestres e Mestras em símbolos de orgulho, permanência e resistência em seus próprios territórios (Anexo 1).


Outro resultado a ser apresentado nesta Meta 3, cujo acesso é feito por meio do link disponibilizado mais adiante, é a importância de ter sido construído, e de se manter crescentemente atualizado, o Portal Ubuntu: Rede Cultura Viva RJ.

A criação de um site dedicado a reunir dados e informações sobre mestres e mestras das culturas populares e tradicionais do estado do Rio de Janeiro representa um passo fundamental para a valorização e preservação dessas trajetórias. Mas o Portal Ubuntu não é apenas um espaço digital: ele se torna uma verdadeira rede de memória viva, capaz de conectar pessoas, histórias e saberes.

Manter esse portal ativo e constantemente atualizado garante que o patrimônio cultural imaterial não se perca com o tempo. Ao registrar e divulgar os percursos de mestres e mestras, o site fortalece o reconhecimento social desses protagonistas, amplia a visibilidade de suas práticas e contribui para que novas gerações tenham acesso a esse legado.

Além disso, o portal funciona como uma ferramenta de democratização da informação. Ele possibilita que pesquisadores, estudantes, gestores culturais e a sociedade em geral encontrem, de forma organizada e acessível, conteúdos que antes estavam dispersos ou restritos a círculos locais. Dessa forma, o Portal Ubuntu promove o diálogo entre tradição e contemporaneidade, estimulando o respeito à diversidade cultural e reforçando o papel das culturas populares como parte essencial da identidade fluminense.

Compreende-se, assim, que o Portal Ubuntu: Rede Cultura Viva RJ é mais do que um site. Ele nasce com a função social estratégica de valorizar e preservar as culturas populares e tradicionais do estado do Rio de Janeiro. Reúne e disponibiliza os resultados de uma ampla investigação conduzida pela equipe do Pontão de Cultura UBUNTU, que identificou e entrevistou Mestres e Mestras em diferentes regiões do estado.

É relevante sublinhar que essa pesquisa não se limitou a um mapeamento: realizou uma profunda caracterização histórica, socioeconômica e socioambiental a partir das trajetórias narradas pelos próprios Mestres e Mestras. Ao transformar essas histórias em dados organizados e acessíveis, o portal garante visibilidade, reconhecimento e memória das práticas culturais que compõem a diversidade fluminense. Por essas razões, o Pontão de Cultura UBUNTU considera que o que o Portal Ubuntu: Rede Cultura Viva RJ é um espaço virtual de memória e valorização de “encontros” entre gerações, porque assegura que as vozes dos mestres e mestras continuem ecoando o tempo aquém deles mesmos, e inspirando o seu tempo presente e futuro.