Uma Trajetória de busca pela justiça e o orgulho de suas ancestralidades
Fotos: Maria Buzanovsky
Sua identidade visual marcante e inconfundível. Seu estilo funde a sensibilidade sonhadora do artista com o respeito reverente às suas origens.
O Homem e Suas Raízes
Pedro Antônio Francisco, amplamente conhecido e respeitado como Mestríssimo Pedro da Água Limpa, é historiador, escritor, capoeirista, jongueiro e ativista da igualdade racial. Aos 76 anos, ele é identificado como uma das figuras mais emblemáticas e influentes de Volta Redonda (RJ) e região, dedicando sua vida à preservação cultural e ao combate incansável ao racismo e à desigualdade social.
Sua consciência social e o aprofundamento nas pautas de igualdade racial começaram cedo, aos 13 anos de idade. Desde a adolescência, o Mestríssimo Pedro transformou a busca pela justiça e o orgulho de suas ancestralidades no motor de sua trajetória.
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A Trajetória na Capoeira e o Título de Mestríssimo
Com uma sólida e respeitável caminhada de 54 anos na capoeira, este Mestre alcançou o ápice da graduação e do reconhecimento dentro da salvaguarda dessa arte. O título de mestríssimo carrega um significado profundo de ancestralidade e continuidade: ele é o mestre que, ao longo de sua jornada, formou outros seis mestres de capoeira. O marco dessa transição ocorreu no ano de 2000, quando ele batizou dois mestres que o acompanhavam desde os 12 anos de idade. Foi a partir daquele momento que Pedro decidiu alterar formalmente o termo pelo qual era chamado, evoluindo de “Mestrão” para “Mestríssimo”, consolidando seu papel de grande formador e guardião dos saberes da roda.
Estilo Único: A Estética como Expressão de Liberdade
Além de sua atuação política e cultural, Pedro é amplamente lembrado por sua identidade visual marcante e inconfundível. Seu estilo funde a sensibilidade sonhadora do artista com o respeito reverente às suas origens. Ele frequentemente transita pelas ruas vestindo mantos africanos e cocares indígenas, honrando a pluralidade de suas matrizes culturais.
Colecionador e entusiasta de indumentárias que contam histórias, Pedro possui 18 ternos personalizados, alimentando a meta de atingir 30 peças exclusivas. Entre suas vestes performáticas mais famosas na região, destacam-se uma capa vermelha e um capacete espartano. Embora a armadura inicialmente impressione, ela serve como uma poderosa ferramenta pedagógica de atração e diálogo com o público. Como descreve o Mestríssimo Pedro da Água Limpa: “Espartano é um personagem que escrevo e as pessoas nas ruas confundem com gladiador, [então] eu explico a diferença. Gladiador é um escravo de Roma, um soldado que foi vencido; um espartano é um soldado livre de Esparta”.
Legado e Reconhecimento
O impacto de suas cinco décadas de atuação ecoa fortemente no cenário do Sul Fluminense. Como escritor e historiador, ele documenta e celebra a cultura afro-brasileira, enquanto sua presença no Jongo mantém viva uma das expressões mais sagradas da ancestralidade regional.
Em reconhecimento à sua imensurável contribuição para o patrimônio cultural, a memória e a justiça social da cidade, Mestríssimo Pedro foi homenageado em 2019 com uma Sessão Solene na Câmara de Vereadores de Volta Redonda, eternizando seu nome na história do município como um verdadeiro guerreiro livre da cultura popular.
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Uma sólida e respeitável caminhada de
54 anos na capoeira
O título de mestríssimo carrega um significado: ele é o mestre que formou outros
6 mestres de capoeira
Sua presença no Jongo
mantém viva uma das expressões mais sagradas da ancestralidade regional.
foi homenageado em 2019
com uma Sessão Solene na Câmara de Vereadores de Volta Redonda