UMA Trajetória que tem a cultura popular enraizada em sua história desde o nascimento
Fotos: Maria Buzanovsky
Sua mãe fez uma promessa a Deus e a Santa Luzia: se o menino voltasse a enxergar, ele sairia em desfile na Folia de Reis durante sete anos seguidos para pagar a graça alcançada.
Origens e Devoção: O Berço da Tradição
Nascido e criado no bairro Niterói, no município de Itaperuna, no interior do estado do Rio de Janeiro, Robson Luiz Santos traz a cultura popular enraizada em sua história desde o nascimento. Vindo de uma família de forte tradição folclórica, Robson cresceu acompanhando os passos de seu avô, que era dono de uma Folia de Reis tradicional, grupo que, antigamente, iniciava sua jornada no Dia de Reis (6 de janeiro) e só retornava para casa no dia 20 de janeiro.
Ainda na infância, a trajetória de Robson com a manifestação cultural ganhou um contorno de profunda devoção religiosa. Devido a um grave problema de saúde, ele acabou perdendo a visão quando era muito jovem. Diante disso, sua mãe fez uma promessa a Deus e a Santa Luzia: se o menino voltasse a enxergar, ele sairia em desfile na Folia de Reis durante sete anos seguidos para pagar a graça alcançada. Abençoado com a recuperação de sua visão, o jovem cumpriu rigorosamente a promessa. O que começou como um ato de fé e uma brincadeira de criança, quando ele e os amigos se divertiam simulando uma folia com latinhas, transformou-se em amor e missão de vida.
A Fundação da Folia de Reis Estrela da Guia
Após o período de cumprimento da promessa e uma breve pausa nas atividades, o desejo de dar continuidade ao legado familiar falou mais alto. No ano de 1994, Robson e seus companheiros uniram forças para comprar novos instrumentos musicais, preparando-se para colocar o grupo oficialmente nas ruas a partir do Natal daquele ano. Nascia assim a Folia de Reis Estrela da Guia, coletivo que já soma mais de 30 anos de atuação ininterrupta na valorização da música e da dança tradicionais.
Atuando de forma independente na comunidade, a Estrela da Guia realiza seus festejos e visitas anuais entre os dias 24 e 25 de dezembro, estendendo-se ao longo do mês de janeiro. O grupo percorre as casas do bairro Niterói e de outras localidades da região, cantando e celebrando a temática do nascimento de Jesus Cristo, mantendo viva a dinâmica de passar a noite em cortejo e retornar no período da tarde.
Estrutura Comunitária e Desafios Cotidianos
A sede da folia funciona na própria residência da família de Robson, uma casa de alvenaria compartilhada por várias gerações em um quintal familiar na Rua Oswaldo Cruz. É nesse espaço que o grupo se organiza, faz a limpeza dos adereços e confecciona as fardas e roupas com o auxílio de um costureiro local, que também reside na casa.
Embora o coletivo seja de base puramente comunitária e não possua CNPJ ou a titulação formal de Ponto de Cultura, a iniciativa já obteve reconhecimento através de políticas públicas recentes. Nos últimos anos, a folia foi contemplada por editais de fomento cultural (como a Lei Paulo Gustavo), recursos que foram integralmente revertidos para a manutenção do grupo, compra de instrumentos e confecção de uniformes e bonés.
Atualmente, Mestre Robson equilibra a liderança do grupo com o seu trabalho como servente. Enfrentando as dificuldades típicas dos realizadores da cultura popular, como a falta de recursos fixos e um espaço físico limitado para ensaios, ele permanece firme no propósito de salvaguardar a tradição que herdou de seus antepassados, garantindo que o pavilhão da Estrela da Guia continue iluminando as ruas de Itaperuna.
Atualmente, Mestre Robson equilibra a liderança do grupo com o seu trabalho como servente.
Com falta de recursos e espaço físico limitado, ele permanece firme no propósito de salvaguardar a tradição que herdou de seus antepassados