Mestre José Facury

Fotos: Mariana Monteiro


Do Maranhão a Cabo Frio: um Guardião dos Bonecos e da Cultura Viva

Natural do Maranhão, o professor de artes e arte-educador aposentado da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) construiu suas raízes também em solo fluminense. Após anos em intensa atividade teatral no Rio, em 1984, mudou-se para a cidade de Cabo Frio, na Região dos Lagos, onde fincou suas fundações ao casar-se com a atriz, aderecista e bonequeira cabo-friense, juntando-se ao grupo teatral Creche na Coxia.

Sua trajetória sempre foi pautada pela interdisciplinaridade das artes, transitando com fluidez pelo teatro, desenho, escrita e pela arte titeriteira (teatro de bonecos). Essa efervescência criativa em ambiente familiar fez com que ele, sua esposa e seus filhos unissem forças para terem um teatro próprio. O grupo que começou como uma companhia de atuação cênica expandiu-se e, com o tempo, desdobrou-se na criação de dois espaços culturais independentes na cidade, o Teatro Quintal e USIN4 Casa das Artes.


O Território Cênico e a Padaria Cultural

No Usin4, o artista gerencia uma engrenagem cultural complexa em uma área de transição socioeconômica estratégica em Cabo Frio: um território situado geograficamente entre a rodoviária municipal, a comunidade do Itajuru e o centro urbano, fazendo fronteira com condomínios de classe média. Nesse entroncamento de realidades, pulsa o seu ponto de cultura familiar.

O espaço possui uma dinâmica de autossustentabilidade única, dividindo-se em três pilares integrados: o Teatro de Bolso e Museu de Bonecos Teatrais, que guarda um expressivo e volumoso acervo de bonecos teatrais históricos e sedia apresentações cênicas; a Padaria Artesanal, gerenciada por seu filho, aberta diariamente das 8h às 18h e serve como a principal fonte de realimentação financeira para cobrir os custos e manter a autonomia do centro cultural. Com ocupações eventuais e ensaios artisticos durante o dia, logo após o fechamento da padaria, o espaço transforma-se por completo, abrindo suas portas exclusivamente para o desenvolvimento de produções artísticas variadas, um polo noturno.

Além desse centro cultural familiar, o educador atua ativamente na Tribal (Associação Cultural Tributo à Arte e à Liberdade), um segundo ponto de cultura que reúne e articula uma ampla rede de artistas locais. Diante do desafio logístico de gerenciar duas estruturas robustas na maturidade, ele trabalha para unificar as iniciativas em um único e potente polo cultural.


Militância e a Defesa da Política Cultura Viva

Com uma vida inteira dedicada à formação de cidadãos por meio da arte, ele acumula uma sólida bagagem na formulação de políticas públicas, exercendo o mandato de conselheiro no Conselho Nacional de Cultura. Embora planeje encerrar seu ciclo nos conselhos institucionais ao final de seu mandato, sua convicção ideológica permanece inabalável.

Para o arte-educador, Mestre José Facury, os editais públicos conquistados esporadicamente são complementos importantes, mas o verdadeiro motor da transformação social reside no reconhecimento comunitário de base. Defensor ferrenho da descentralização da arte, ele reafirma a Política Nacional Cultura Viva como o modelo de excelência por democratizar o acesso e valorizar os fazedores de cultura que atuam no cotidiano das franjas urbanas, mantendo viva a chama da criatividade e do acolhimento social.

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USIN4
Casa das Artes

Tribal
Associação Cultural Tributo à Arte e à Liberdade