Mestre Dengo

Fotos: Maria Buzanovsky


O começo em 1973,
em Macaé

Minha história na capoeira começa em 1973, em uma Macaé onde a arte ainda ocupava as ruas, os campos de futebol e os parques. Sem mestres fixos na cidade, a gente aprendia no “pé do berimbau”, na troca de experiências. Meus primeiros passos foram guiados por Levi Tavares de Souza, um grande amigo e capoeirista experiente que já trazia a bagagem de Grupos de Caxias.

Naquela época, a capoeira era resistência pura. Treinávamos no Americano Futebol Clube, na quadra da Aroeira e na Princesinha do Atlântico — lugares onde a cultura preta pulsava. Lembro com orgulho das palavras do presidente do Americano na época: “A capoeira é cultura preta e merece apoio”. Aquilo nos deu força para difundir nossa arte.


A Lapidação
e a Graduação

Após passagens marcantes e o contato com figuras como Mestre Machado e Mestre Pavão (aluno do Mestre Cabrita), minha jornada tomou um novo rumo em 1980, quando ingressei no Grupo Angonal de Capoeira, em São Gonçalo, sob a orientação do Mestre Bocka.

Foi na Angonal que fui lapidado. Em 1981, tornei-me Contra-Mestre e, em 1984, após passar pela rigorosa banca examinadora no Fundão (RJ), recebi a graduação de Mestre.


Andanças
e Raízes

A capoeira me levou longe: Belo Horizonte, São Paulo, Maranhão e a Bahia de Santo Amaro. Bebi da fonte do Jongo, do Samba Rural e do Maculelê. Convivi com lendas como Mestres Corvo, Travassos e Manoel Gato Preto. Cada viagem foi uma soma de saberes que me moldou não apenas como capoeirista, mas como conhecedor da cultura popular.

Em 1999, fundamos o Grupo Raízes de Aruanda, levando o trabalho para Rio Bonito, Campos, Rio das Ostras e tantas outras cidades. Em 2014, alcancei o 4º Grau de Mestre, cercado por grandes nomes da capoeira do Rio de Janeiro