Mestra Preta

Fotos: Maria Buzanovsky


Perfil Pessoal
e Origens

Deise Aparecida Porto Claro é uma mulher cisgênero, negra (autodeclarada parda), na faixa etária de 41 a 50 anos e natural do estado do Rio de Janeiro. Residente há mais de 11 anos no município de Barra Mansa, é praticante da religião Católica, casada e mãe, e possui Ensino Superior completo, atuando profissionalmente como contadora. Sua entrada no universo cultural foi marcada pela resistência e pela quebra de barreiras de gênero. Ela começou a se interessar pela capoeira através de seu irmão, mesmo ouvindo de sua mãe que aquilo “era coisa de menino”. Mais tarde, ela abraçou de vez a arte quando sua própria filha também demonstrou interesse, transformando a prática em um legado familiar.


Trajetória Cultural
e Saberes

Com uma sólida trajetória de 25 anos de atuação, Mestra Preta dedica-se prioritariamente à área de Cultura e Juventude. Ela aprendeu seus saberes da forma mais tradicional, observando mestres e mestras fazerem. Seus conhecimentos são vastos e multifacetados, englobando capoeira, cultura afro, tradição oral, artes cênicas, música, esporte, comunicação e Direitos Humanos, entre outras linguagens.


Atuação no coletivo Associação de Capoeira Ducarmarina

Mestra Preta é uma das lideranças e fundadoras da Associação De Capoeira Ducarmarina, uma instituição formalizada (com CNPJ) e com sede própria no bairro Vila Maria, em Barra Mansa. O coletivo, que possui base comunitária, nasceu da necessidade de estruturar e expandir o trabalho com a capoeira. Unindo forças com o Mestre Branco e o Mestre Lima, a instituição foi criada para levar a arte à comunidade, formar alunos e participar de competições, já sendo certificada via edital da Secretaria Municipal.

A Associação destaca-se por sua infraestrutura inclusiva, adotando rigorosas medidas de acessibilidade física (rampas, banheiros adaptados, espaço de manobra para cadeiras de rodas) e comunicacional (janela e intérpretes de Libras, materiais em escrita fácil). O trabalho atende um público diverso, embora na maioria afro-brasileiros, incluindo crianças, jovens, mulheres e pessoas com deficiência. A equipe do coletivo é robusta, contando com profissionais como Mestre Branco, Avatar (Monitor), Talita, Neide, Bidê, Rafael e Tata.


Aspectos Socioeconômicos
e o Olhar ao Redor

Como trabalhadora assalariada com carteira assinada, Mestra Preta possui uma renda familiar estável (entre 3 e 5 salários mínimos) e mora em residência própria, de alvenaria, com ótima infraestrutura. No entanto, ela não está alheia aos desafios de sua comunidade. Ela aponta como problemas muito graves em sua comunidade a falta de espaços culturais (locais para show/teatro), escassez de médicos, segurança precária e o uso de drogas e alcoolismo.

Além dos desafios estruturais, a Mestra carrega a marca de já ter enfrentado episódios de preconceito e agressão motivados pela sua cor/raça no ambiente escolar, situação na qual demonstrou sua força ao enfrentar o agressor. Sua trajetória é um grande exemplo de dedicação à cultura afro-brasileira, empoderamento feminino e transformação social por meio da capoeira.