umA Trajetória moldada desde cedo pela força do exemplo feminino
Fotos: Xerel
Com o olhar voltado para a equidade e o respeito, assume como sua grande missão política e cultural fomentar e construir eventos onde as mulheres sejam a base, o protagonismo e a liderança das rodas.
Origens, Força e a Resiliência na Capoeira Feminina
Nascida em uma família humilde, a trajetória de Mariluce da Silva Souza foi moldada desde cedo pela força do exemplo feminino. Criada exclusivamente por sua mãe após o falecimento precoce de seu pai, ela enfrentou uma infância turbulenta, marcada pelos desafios que sucederam um grave acidente sofrido por sua progenitora. Diante das adversidades, sua mãe lhe deixou o maior de todos os legados: o valor inestimável dos estudos.
Honrando esse ensinamento, ela concluiu o ensino médio mantendo uma rotina de muito sacrifício. Para ajudar no sustento do lar e garantir sua permanência na escola, usava a criatividade e o que a natureza oferecia. Recolhia as mangas que caíam no telhado de sua casa para produzir e vender sacolés. Dividindo-se entre os livros, as faxinas e o comércio ambulante, ela forjou seu caráter na honestidade e na resiliência.
O Encontro com a Capoeira e o Pioneirismo na Roda
Seu ingresso no universo esportivo começou pelo atletismo na Universidade Gama Filho. No entanto, o destino reservava um chamado mais profundo através de suas raízes. Por meio do convite de um primo, conhecido no mundo da arte como Mestre Negativo, ela teve o seu primeiro contato formal com a capoeira. Mestre Negativo havia sido aluno do renomado Mestre Boneco, e foi sob essa linhagem que ela iniciou sua caminhada.
Ao entrar na roda, enfrentou e venceu as barreiras da representatividade. Na época, era a única aluna negra a treinar sob a tutela de Mestre Boneco naquele espaço. Embora defina a presença e o impacto da capoeira em sua vida como uma força vital e transformadora que vai além das palavras e não se consegue explicar, foi no toque do berimbau que Mestra Magali encontrou sua verdadeira liberdade.
Três Décadas de Legado Educacional e Fronteiras Rompidas
A capoeira e a educação, duas forças que herdou de sua história, uniram-se em sua profissão. Ela tornou-se professora de capoeira em uma instituição de ensino, onde realiza um trabalho sólido e duradouro. Em 2026, celebra a marca de 30 anos de dedicação contínua na mesma escola, transformando gerações de estudantes através do esporte e da cultura afro-brasileira.
O respeito conquistado na salvaguarda da arte rompeu as fronteiras do Rio de Janeiro. Como capoeirista respeitada, Mestra Magali viajou por vários estados brasileiros e levou o axé do nosso patrimônio imaterial para o exterior, representando o Brasil em eventos internacionais.
Militância Feminina e o Olhar para o Futuro
Atualmente, ela integra o relevante movimento Danda Viva Capoeira, uma frente que atua ativamente no empoderamento e na visibilidade das mulheres dentro da capoeiragem. Com o olhar voltado para a equidade e o respeito, assume como sua grande missão política e cultural fomentar e construir eventos onde as mulheres sejam a base, o protagonismo e a liderança das rodas.
Com mais de três décadas de experiência no chão da escola e das rodas, ela defende com paixão que a capoeira é um território sagrado para a juventude, desde que os novos praticantes sejam bem trabalhados, acolhidos e guiados por bons mestres. Para ela, a arte do berimbau é uma escola de vida insubstituível. Para a Mestra Magali, “a juventude é muito bem-vinda na capoeira quando é bem trabalhada e guiada. Todo jovem, sem exceção, deveria ter a oportunidade de vivenciar a capoeira pelo menos uma vez na vida”.
única aluna negra a treinar sob a tutela de Mestre Boneco,
enfrentou e venceu as barreiras da representatividade.
mais de 3 décadas
transformando gerações de estudantes através do esporte e da cultura afro-brasileira.